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Terapia hiperbárica · 7 min de leitura

Terapia hiperbárica: o que acontece antes, durante e depois

Informação para apoiar a conversa com sua equipe de saúde.

Conheça o procedimento, as perguntas da avaliação e os cuidados que tornam o tratamento mais compreensível para quem vai realizá-lo.

O que é uma câmara hiperbárica?

É um equipamento preparado para funcionar sob pressão. Na oxigenoterapia hiperbárica, a pessoa respira oxigênio puro em um ambiente com pressão acima da atmosférica. Existem câmaras para uma pessoa e modelos para várias pessoas.

Não é simplesmente receber oxigênio por uma máscara em um ambiente comum. A pressão faz parte do procedimento, assim como a indicação e a supervisão médica. O tempo e o número de sessões variam conforme o caso. CFM — definição e aplicação ↗

Multiplace significa que a câmara acomoda várias pessoas. Seu interior pode ter poltronas e espaço para maca. Nesse modelo, em geral, o ambiente é pressurizado com ar, enquanto cada paciente recebe oxigênio por uma máscara própria ou por um capuz transparente. A equipe orienta o uso e acompanha a sessão. Mayo Clinic — modelos de câmara e administração do oxigênio ↗

Interior de uma câmara multiplace, com poltronas, maca e corredor central. Ilustração realista gerada por IA com base em fotografia da câmara da OMNA. Câmara vazia, representada antes da sessão.
Interior de uma câmara multiplace, com poltronas, maca e corredor central. Ilustração realista gerada por IA com base em fotografia da câmara da OMNA. Câmara vazia, representada antes da sessão.

Como o oxigênio viaja no sangue?

O sangue transporta oxigênio de duas formas: ligado à hemoglobina, proteína dentro das hemácias, e dissolvido na parte líquida do sangue, incluindo o plasma. Ao respirar ar em condições habituais, a maior parte segue com a hemoglobina; a parcela dissolvida é pequena.

As hemácias são os glóbulos vermelhos. Já o plasma é o líquido em que as células circulam. O oxigênio dissolvido está distribuído nesse líquido em forma de moléculas: não são bolhas de gás no sangue.

O que a pressão muda no plasma?

Respirar oxigênio puro sob maior pressão eleva sua pressão parcial nos pulmões — a parcela da pressão exercida por esse gás. Isso favorece sua passagem para o sangue e aumenta a quantidade dissolvida. Essa relação é descrita pela lei de Henry: mantendo as demais condições, maior pressão parcial permite dissolver mais gás em um líquido.

Em uma pessoa com oxigenação habitual normal, a hemoglobina arterial já está quase totalmente ocupada. Por isso, o aumento obtido com a hiperbárica envolve especialmente a fração dissolvida, sem retirar o papel das hemácias. Pittman — transporte do oxigênio e lei de Henry, NCBI Bookshelf ↗

Ilustração educativa em 3D, gerada por IA: em condições habituais, há pouco oxigênio dissolvido no plasma; durante a terapia hiperbárica, essa parcela aumenta. As hemácias continuam transportando oxigênio nos dois quadros. Os símbolos de O₂ representam moléculas, não bolhas. Imagem sem escala e sem proporção quantitativa.
Ilustração educativa em 3D, gerada por IA: em condições habituais, há pouco oxigênio dissolvido no plasma; durante a terapia hiperbárica, essa parcela aumenta. As hemácias continuam transportando oxigênio nos dois quadros. Os símbolos de O₂ representam moléculas, não bolhas. Imagem sem escala e sem proporção quantitativa.

Dos pulmões até os tecidos

O caminho começa na respiração. O oxigênio passa pelos alvéolos, pequenas estruturas dos pulmões onde ocorrem as trocas com o sangue. A circulação o transporta até os capilares, vasos finos próximos às células. Dali, ele passa para os tecidos por difusão, seguindo a diferença de pressão parcial.

A maior disponibilidade de oxigênio pode apoiar processos de reparação, formação de novos vasos e defesa contra determinadas infecções, conforme a indicação. O sangue precisa continuar chegando ao local: o tratamento integra um plano que considera também a circulação e a causa da lesão. UHMS — princípios e indicações da terapia hiperbárica ↗ Mayo Clinic — ação nos tecidos ↗

Das narinas até uma célula. Oito etapas em uma animação educativa em 3D, com narração em português e legendas incorporadas. Animação 3D educativa com cenas geradas por IA e narração com a voz sintética do personagem virtual da OMNA. O percurso foi condensado e as mudanças de escala simplificam a anatomia. Os pontos coloridos representam o oxigênio; não são bolhas nem estão em escala.

Baixar vídeo com narração e legendas

Ler a narração completa
  1. Entrada pelas narinas: A viagem começa na inspiração. O oxigênio entra pelas narinas e atravessa a cavidade nasal, acompanhando o ar que respiramos.
  2. Faringe, laringe e traqueia: Depois, passa pela faringe, pela laringe e desce pela traqueia.
  3. Árvore brônquica: A traqueia se divide em brônquios. Eles se ramificam em segmentos cada vez menores, formando a árvore brônquica dentro dos pulmões.
  4. Alvéolos e passagem ao sangue: Nos alvéolos, o oxigênio atravessa uma barreira muito fina e chega ao sangue dos capilares.
  5. Dentro das hemácias: No sangue, parte do oxigênio entra nas hemácias e se liga à hemoglobina, a proteína que transporta a maior parte desse gás.
  6. Oxigênio dissolvido no plasma: Outra parte fica dissolvida no plasma, o líquido do sangue. Na terapia hiperbárica, respirar oxigênio sob maior pressão aumenta essa parcela dissolvida de maneira significativa.
  7. Viagem pelos vasos: O sangue oxigenado volta ao coração e é impulsionado pelas artérias até os pequenos vasos próximos das células.
  8. Chegada a uma célula: Nos capilares, o oxigênio se desprende da hemoglobina e difunde-se até os tecidos, entrando nas células, onde participa da produção de energia.

Fontes: NHLBI — sistema respiratório e Pittman — transporte do oxigênio.

Por que aumentar a oferta de oxigênio?

Os tecidos precisam de oxigênio para funcionar. Nas condições do tratamento, o organismo consegue absorver mais oxigênio, o que pode contribuir para o cuidado de determinadas lesões e doenças. A avaliação médica identifica as condições em que essa ação pode contribuir para o tratamento.

A pergunta útil é: qual problema está sendo tratado e que resultado será acompanhado? A resposta precisa considerar o diagnóstico e os outros cuidados necessários. Uma pessoa pode receber a terapia junto de medicamentos, cirurgia e acompanhamento de outras especialidades. Cleveland Clinic — como funciona ↗

O que muda conforme a condição tratada?

O objetivo acompanha o diagnóstico. Em feridas selecionadas, a maior oferta de oxigênio busca apoiar a reparação. UHMS — feridas selecionadas ↗

No pé diabético, a terapia pode favorecer a cicatrização de algumas úlceras com circulação comprometida e resposta insuficiente aos cuidados habituais. A indicação é individualizada, considerando os resultados variados dos estudos. IWGDF — recomendação condicional ↗

Em infecções necrosantes, como Fournier, o objetivo é apoiar a defesa dos tecidos dentro de um tratamento integrado. A indicação considera também diferenças entre diretrizes: para Fournier, a Associação Europeia de Urologia recomenda os tratamentos complementares apenas em pesquisas clínicas, enquanto o benefício adicional segue em avaliação. EAU — Fournier ↗

Os guias de cada condição explicam como a terapia pode contribuir e quais critérios orientam sua indicação. O plano deve reunir objetivos claros, acompanhamento da resposta e os demais cuidados necessários.

Antes da sessão: uma conversa necessária

Informe medicamentos, dispositivos implantados, problemas respiratórios, alterações nos ouvidos, cirurgias recentes e receio de espaços fechados. A equipe avaliará o que é relevante e dará as orientações adequadas.

Exemplo hipotético: duas pessoas chegam com feridas, mas têm causas e condições de saúde diferentes. O fato de uma receber indicação não determina a conduta para a outra. A avaliação deve responder se há benefício esperado e como ele será acompanhado. Cleveland Clinic — avaliação antes do procedimento ↗

Durante: o que a pessoa pode perceber?

A mudança de pressão pode causar sensação de ouvido tampado. Avise a equipe sobre dor, desconforto ou ansiedade e siga as instruções recebidas. O acompanhamento permite perceber dificuldades e decidir o que fazer.

Podem ocorrer efeitos adversos, como problemas nos ouvidos, desconforto nos seios da face e alterações temporárias da visão. Há riscos mais raros, inclusive relacionados aos pulmões e ao excesso de oxigênio. Pessoas com diabetes podem precisar de atenção à glicose. Converse sobre os riscos que importam para o seu caso. Mayo Clinic — riscos e cuidados ↗

Por que existem regras sobre roupas e objetos?

Oxigênio em alta concentração aumenta o risco de incêndio. Por isso, vestuário, aparelhos, produtos e objetos precisam seguir as regras do serviço e do equipamento. Algo seguro em uma sala comum pode não ser adequado dentro da câmara.

Não decida sozinho o que levar. A prevenção envolve profissionais treinados, manutenção, supervisão e cumprimento das instruções do fabricante. Essas medidas são parte do tratamento, e não apenas uma formalidade. FDA — segurança dos equipamentos ↗

Depois: como saber se o plano está funcionando?

O acompanhamento deve discutir evolução e eventuais efeitos indesejados. Anote dúvidas e informe sintomas novos. Peça à equipe que explique quando o plano será reavaliado; um número fixo de sessões anunciado para todos não substitui essa conversa. Mayo Clinic — acompanhamento ↗

Perguntas para levar à avaliação

  • Qual é a indicação no meu caso?
  • Quais benefícios são esperados e quais são as limitações?
  • Que outros tratamentos precisam continuar?
  • O que devo informar antes de cada sessão?
  • Como falo com a equipe durante o procedimento?
  • Quando os resultados e a continuidade serão reavaliados?

Para guardar: entender o plano ajuda a participar do cuidado. A decisão sobre a terapia deve ser individual, com objetivos e orientações claros.

Sobre este material

Conteúdo educativo para o público em geral. Não substitui avaliação individual nem orientações da equipe responsável. As fontes estão vinculadas junto às explicações. A imagem da câmara foi gerada por IA com base em fotografia da câmara da OMNA. A comparação em 3D do oxigênio no sangue foi gerada por IA. A animação reúne cenas em 3D geradas por IA e narração com a voz sintética do personagem virtual da OMNA. As ilustrações são educativas, sem escala ou proporção quantitativa.

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